CICLO HIDROLÓGICO
O causador deste
fenômeno é um processo chamado Ciclo Hidrológico, através do qual as águas do
mar e dos continentes se evaporam, formam nuvens e voltam a cair na terra sob a
forma de chuva, neblina e neve. Depois escorrem para rios, lagos ou para o
subsolo formando os importantes aquíferos subterrâneos, e aos poucos correm de
novo para o mar mantendo o equilíbrio no sistema hidrológico do planeta (clique
na foto para detalhes).
A água somente passa
a ser perdida para o consumo basicamente graças à poluição e à contaminação,
nunca devido ao assoreamento como muitos dizem. São estes fatores que irão
inviabilizar a reutilização, causando uma redução do volume de água
aproveitável da Terra.
O Brasil é altamente
privilegiado em termos de disponibilidade hídrica global. Nós temos um volume
médio anual de 8.130 km3, que representa um volume per capita de 50.810 m3/hab.
ano. Estes números devem ser encarados com uma certa reserva pois a
distribuição de água no Brasil, como veremos adiante, também é bastante
irregular. A Amazônia, o lugar mais rico em água potável superficial de todo o
Planeta está distante dos grandes centros urbanos nacionais.
Conclusão 1: O
gerenciamento da água é que deve ser considerado o grande problema e não seu
"desaparecimento". Desta forma quando o Governo tenta culpar o
usuário pelo consumo excessivo de água está, na realidade, confessando a sua
incapacidade em suprir este excesso de água no presente e, possivelmente, no
futuro. O cidadão pode e deve evitar perdas desnecessárias do produto, mas não
deve, sob hipótese nenhuma, ser responsabilizado pela falta de água. A única
forma de inviabilizar a água para o consumo é a contaminação da mesma por
poluentes. Portanto cabe, mais uma vez as autoridades criar leis severas que
punam exemplarmente aqueles que poluem e contaminam as águas.
Como é consumida a água?
"A rã não bebe
toda a água do tanque onde mora" - Provérbio indígena norte-americano
Existem diferentes
cálculos sobre a quantidade diária de água que um ser humano necessita para
viver adequadamente. Alguns levam em consideração apenas o imprescindível para
matar a sede, cozinhar e tomar banho; outros incluem o necessário para a
limpeza de roupas e espaços.
Esses cálculos variam
de 25 litros a 50 litros diários, o que indicam volumes de 9.125 litros a
18.250 litros por pessoa ao ano.
Ocorre que o volume
de reserva de água doce por pessoa vem diminuindo com o passar do tempo,
conforme podemos observar na tabela abaixo:
A realidade,
entretanto, exige mais água: para cultivar uma horta, para o trato de animais
domésticos, para o cuidado especial de doentes, para a limpeza pública e de
locais de trabalho... E o desenvolvimento tecnológico cria novas necessidades,
como as máquinas de lavar roupas e louças ou os automóveis. Veja, abaixo, a
média do consumo em litros de água para algumas atividades do cotidiano:
Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) classificou os países em cinco categorias. Para isso levou em consideração o volume de água renovável dividido pelo tamanho da população, começando por um mínimo de 1 milhão de litros para cada uma.
Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) classificou os países em cinco categorias. Para isso levou em consideração o volume de água renovável dividido pelo tamanho da população, começando por um mínimo de 1 milhão de litros para cada uma.
Na categoria escassez,
estão os países nos quais há menos de 1 milhão de litros por pessoa anualmente
— são os que se encontram em pior situação. Na categoria “água no limite” estão
os países que possuem entre 1 milhão e 1,7 milhão de litros por pessoa ao ano.
O Brasil está no
melhor grupo, com mais de 10 milhões de litros de água doce disponível por
habitante anualmente, mas as maiores reservas estão no norte, longe das grandes
cidades.
Atualmente, entre os
6 bilhões de habitantes do mundo, 500 milhões já vivem no pior grupo, em países
do norte da África (como o Egito, a Líbia e a Argélia) e na Península Arábica
(como a Arábia Saudita, a Síria e a Jordânia).
A Índia, com cerca de
1 bilhão de habitantes, está no grupo de “água no limite”, e a China, com mais
de 1 bilhão, no grupo de “água insuficiente”.
A ONU calcula que, no
ano 2050, o mundo terá uma população de 8,9 bilhões de pessoas, das quais 4
bilhões viverão em países com escassez crônica de água, o pior grupo. Nesses
países, a escassez de água poderá provocar problemas graves na saúde pública e
inviabilizar o crescimento da economia e a geração de empregos.
Para conseguir
abastecer-se de água, os países que sofrem com a escassez utilizam diferentes
métodos: o transporte por caminhões, por navios tanques e também em gigantescos
sacos plásticos arrastados por navios.
O consumo de água no
planeta é que ditará as políticas de gerenciamento da água.
O consumo de água per
capita varia de país para país e de lugar para lugar. Alguns exemplos abaixo.
Na tabela acima
observamos que o consumo é significativamente maior nos países desenvolvidos
quando comparados ao Brasil. No Brasil o maior consumo per capita é observado
no Distrito Federal que é ainda 33% menor que o consumo médio do Canadá.
O principal uso de
água é, sem dúvida nenhuma, na agricultura. As águas públicas, que precisam
tratamento e transporte tem uma distribuição diferente. Aproximadamente 60%
desta água será usada para fins domésticos, 15% para fins comerciais e 13% em
indústrias. O restante para fins públicos e outras necessidades.
No Brasil o consumo
de água per capita multiplicou-se por mais de dez ao longo do século 20. Mesmo
assim existem milhões de cidadãos sem acesso a água de qualidade. Da mesma
forma milhões de casas não tem rede de esgotos.
É necessário um
investimento significativo, por parte das autoridades, neste setor. Se este
investimento não for efetuado, em pouco tempo teremos o caos social derivado
pela falta d'água. Neste caso o grande culpado será, mais uma vez, a falta de
previsão e de investimentos do setor público e não o cidadão.
Já, nos outros países
onde além do problema de gerenciamento existe a falta de reservas de água o
problema poderá ser, realmente, gravíssimo no futuro próximo.
A tecnologia mais
promissora é a dessalinização da água dos mares e lagos salgados, que pode ser
feita por meio da filtragem ou da destilação da água em usinas. De 1980 ao ano
2000, o preço do metro cúbico de água do mar dessalinizada diminuiu de 5,50
dólares para 55 centavos de dólar, e este parece ser o método que será o mais
adotado.
Outras soluções são a
cobertura de encostas e áreas com plásticos para a captação de orvalho e chuva
e seu armazenamento em cisternas, além do tratamento da água usada para ser
reutilizada, a chamada água de reúso.
A água no Brasil
O nosso país,
conforme dito, é privilegiado. Temos gigantescas reservas de água praticamente
em todos os Estados com exceção dos situados no semi-árido do Nordeste.
Isso não é nenhuma
novidade!
O que a maioria não
sabe é que existem reservas simplesmente gigantescas, maiores ainda que aquelas
contidas nos rios e lagos de superfície. São as reservas dos aquíferos
subterrâneos.
O Brasil detém 11,6%
da água doce superficial do mundo. Os 70% da água disponível para uso estão
localizadas na Região Amazônica, que representa apenas 7% da população do País.
Enquanto que os 30% restantes distribuem-se desigualmente pelo País, para
atender os 93% restantes. Estima-se que 51% do abastecimento de água no Brasil
são feitos por captações subterrâneas através de 200.000 poços tubulares e mais
de 1 milhão de poços/cacimbas. A ausência de controle sobre as diversas
atividades do homem (práticas domésticas, agrícola e comercial) modificadoras
dos mecanismos de reposição natural da água, principalmente dos recursos
hídricos subterrâneos, denotam a importância da regulamentação e controle sobre
os nossos recursos.
No Brasil, 92,7% das
residências têm rede da água potável segundo dados do Ministério das Cidades.
"Mas no nordeste o sistema de abastecimento não consegue garantir água
todo dia", diz o diretor da Agência Nacional de Águas, Benedito Braga. No
que diz respeito à rede de esgoto, a situação é oposta. Apenas 37,7% dos
domicílios estão ligados à rede de coleta. O resto é lançado nos rios e no mar.
É essa poluição - somada aos dejetos industriais - que está na base da crise da
água. Atualmente, estima-se que haja 120 mil km³ de água contaminada no mundo -
uma quantidade maior do que o total existente nas dez maiores baciais
hidrográficas do planeta. Se o ritmo de contaminação não se alterar, o número
pode chegar aos 180 mil km³ em 2050. Segundo a ONU, um litro de água com
dejetos contamina oito litros de água pura. "De todas as crises sociais e
naturais que os seres humanos devem enfrentar, a dos recursos hídricos é a que
mais afeta a nossa própria sobrevivência e a do planeta", afirma o diretor
geral da Unesco, Koichiro Matsuura.
A grande reserva Brasileira de água: os aquíferos subterrâneos
Lembre-se que no
ciclo hidrológico, uma parte da água superficial penetra nas rochas permeáveis
formando vastos lençóis freáticos também chamados de aquíferos.
O maior aqüífero
conhecido do mundo, O AQÜÍFERO GUARANI, está localizado em rochas da Bacia
Sedimentar do Paraná e ocupa uma área de mais de 1,2 milhões de km2. Este
super-aquífero estende-se pelo Brasil, (Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul com 840.000 Km²), Paraguai (58.500
Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina, (255.000 Km²).
Este aqüífero pode
conter mais de 40 mil quilômetros cúbicos de água o que é superior a toda a
água contida nos rios e lagos de todo o planeta. Somente este fato poderia
significar que o abastecimento de água Brasileiro estaria garantido , sem
reciclagem e reaproveitamento por milhares e milhares de anos...imagine então
se fizermos uma reciclagem, tratamento e reaproveitamento eficientes...teremos
água para todo o sempre.
Estima-se que por ano
o Aquífero Guarani receba 160 quilômetros cúbicos de água adicional vindas da
superfície. Este é um ponto que pode ser considerado um problema ou uma
solução. Se estas águas superficiais estiverem contaminadas o aquífero será
terrivelmente atingido.
A água do Guarani já
abastece muitas comunidades nos Estados do Sul-Sudeste do País.
Reservatórios
subterrâneos de água potável são conhecidos em todos os terrenos e regiões do
Brasil. Mesmo no semi-árido do Nordeste existem gigantescos reservatórios.
Somente um deles possui um volume de 18 trilhões de metros cúbicos de água
disponível para o consumo humano, volume este suficiente para abastecer toda a
atual população brasileira por um período de, no mínimo, 60 anos isso sem
reciclagem ou reaproveitamento desta água.
O potencial de
descoberta de novos aquíferos, inclusive maiores do que o próprio Guarani é
muito grande. É só lembrar que 3/4 dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados da
superfície Brasileira correspondem a Bacias Sedimentares como a do Paraná.
Todas estas bacias contém unidades sedimentares porosas e permeáveis que podem
formar excelentes aquíferos de dimensões continentais.
Em sondagens
profundas (>400m) na Bacia do Amazonas (PA) podemos constatar esta verdade.
Intersectamos um gigantesco aqüífero com artesianismo que até hoje fornece água
ininterrupta à comunidade da Transamazônica. Este reservatório, ainda não
mapeado, foi intersectado em poucos furos distantes dezenas de quilômetros o
que dá uma idéia de seu volume.
Mais interessante
ainda é que os aquíferos tem uma água pura, sem poluentes ou contaminantes
podendo ser utilizada diretamente para consumo. Em outras palavras uma água
barata e pura que não necessita de tratamento.
Conclusão 2: O Brasil
tem, provavelmente, as maiores reservas de água do mundo. Estas reservas estão
distribuídas em todo o Território Nacional. O mapeamento dos principais
mananciais subterrâneos do Brasil deve ser uma prioridade. Mais ainda é fundamental
que seja monitorada a qualidade da água que penetra nos aquíferos evitando, por
intermédio de pesadas multas, a poluição e contaminação desta água o que pode
comprometer um dos maiores bens do País.
Reservas alternativas de água
A única maneira de
acabar com a água da Terra é acabando com o planeta.
A água está presente
em praticamente todos os ambientes conhecidos. Na atmosfera, na superfície, nos
aquíferos subterrâneos, nos seres vivos, nas emanações vulcânicas e também na
maioria das rochas.
As rochas da crosta
terrestre são ricas em minerais hidratados. Se alguém tiver interesse em
calcular a quantidade de água encerrada na estrutura de minerais formadores de
rocha verá que o volume é simplesmente imenso. É lógico que , nas condições
atuais essas reservas são apenas teóricas, já que o custo da extração desta
água será muito elevado e anti-econômico. No entanto esta tecnologia poderá ser
útil na conquista de planetas com pouca água como Marte.
Soluções mais óbvias que estão sendo ou serão praticadas em breve são:
Dessalinização: A
dessalinização das águas do mar e de aquíferos subterrâneos com salinidade
elevada será a solução para vários países que tenham o capital, a tecnologia e
o acesso à água salgada. Infelizmente a água potável gerada por estas usinas
ainda será um produto caro e, naturalmente inacessível a muitos.
Tratamento de águas
servidas: No processo de gerenciamento de águas este é um ponto fundamental. Os
países mais desenvolvidos estão investindo pesado nesse campo. No Brasil cidades
como Brasília estão se destacando no tratamento e reaproveitamento dessas
águas.
Captação das águas da
chuva: Em países com estações chuvosas é possível maximizar os reservatórios e
estoques de água pelo uso inteligente da água de precipitação.
Por exemplo: somente
a água que é precipitada na Grande S. Paulo durante os meses de janeiro a março
é superior em volume a todo o consumo desta cidade em um ano. Este exemplo é
válido para quase todos os locais onde existem estações chuvosas.
Precipitação média mensal (mm) em São Paulo no período 1961-1990
Precipitação média mensal (mm) em São Paulo no período 1961-1990
Conclusão final: A
água da terra não está acabando. Na realidade a água da superfície terrestre
pode estar aumentando pela adição de água vulcânica. O valor da água deverá
aumentar consideravelmente pois existem países carentes que terão que utilizar
tecnologias caras ou importar água de países ricos. O Brasil não deverá ter
problema de falta de água se os governantes investirem adequadamente no
gerenciamento, armazenagem, tratamento e distribuição das águas. Evitar a
poluição das águas deve ser considerada a prioridade número um dos Governantes.
In: http://www.brasilescola.com/geografia/era-apocaliptica.html
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